O Senhor Pancracio

Ilustração de Paulo Salvador Lopes

O Senhor Pancrácio

Hoje vou relembrar o meu livro A Magia de Luna na Cidade das Flores. Nele encontramos vários contos protagonizados por animais, através dos quais procuro transmitir pequenas mensagens às crianças.
Quero agora partilhar convosco os bastidores de um deles: O Senhor Pancrácio.

Quero agora partilhar convosco os bastidores de um deles: O Senhor Pancrácio.

Tal como aconteceu com outras histórias, esta nasceu de algo muito simples: observar e refletir.

Ao longo do tempo, fui escrevendo no blogue sobre animais que fazem parte do nosso dia a dia — como os pombos, por exemplo. São presença constante nas cidades, mas nem sempre olhados com simpatia. (Se quiserem espreitar, escrevi sobre isso aqui:
https://www.teresadangerfield.pt/pombos---amigos-ou-pragas
https://www.teresadangerfield.pt/alguns-factos-e-curiosidades-sobre-os-pombos
https://www.teresadangerfield.pt/pombos-como-personagens-em-histrias-infantis-e-infantojuvenis)
https://www.teresadangerfield.pt/moda-penas-e-direitos-dos-animais

À medida que fui pesquisando e escrevendo, fui também percebendo melhor estes animais — e, ao mesmo tempo, a forma como nós, humanos, reagimos a eles. Muitas vezes com impaciência. Outras, com rejeição. E, infelizmente, por vezes com crueldade.

Foi essa realidade que me fez pensar: como explicar isto às crianças?

Assim nasceu O Senhor Pancrácio.

Neste conto, quis dar voz aos animais — aos gatinhos Algodão e Estrelinha, e aos pombos — para mostrar como aquilo que, para um humano, é um “problema”, para um animal pode ser simplesmente um comportamento natural. Remexer a terra, procurar alimento, ocupar um espaço… tudo isso, faz parte da sua forma de viver.

 

A Estrelinha, com a sua forma tão pura de ver o mundo, foi ganhando um papel especial. Enquanto o Algodão desconfia — e com razão —, ela insiste em acreditar que há sempre algo de bom nas pessoas, mesmo quando tudo parece indicar o contrário. Confesso que foi através dela que consegui trazer algum humor à história, sobretudo nas interpretações tão ingénuas (e inesperadas!) que faz das “armadilhas” do Senhor Pancrácio.

E depois há o próprio Senhor Pancrácio.

Afinal, quem é o Senhor Pancrácio?

À primeira vista, é uma personagem zangada, uma pessoa difícil, que tenta afastar os animais do seu quintal e chega mesmo a recorrer a armadilhas. Mas, tal como acontece tantas vezes na realidade, há uma razão por detrás desse comportamento. A referência à perda da sua companheira ajuda a perceber que, por vezes, a dureza das pessoas pode esconder tristeza, solidão ou dor.

Ainda assim, não quis ignorar uma realidade importante: existem, de facto, situações de crueldade para com os animais, e é fundamental que as crianças tenham consciência disso — sempre de forma sensível e adequada à sua idade.

Curiosamente, são os próprios animais — aqueles que mais sofreram com as atitudes do Senhor Pancrácio — que acabam por lhe mostrar empatia. Que não desistem. Que ajudam.

E é aí que a história muda.

Tal como noutros contos, a gatinha Luna volta a desempenhar um papel importante, ligando personagens e ajudando a resolver a situação. No entanto, o que mais me interessava destacar aqui era outra ideia: mesmo aqueles que foram prejudicados podem escolher ajudar.

Se lerem O Senhor Pancrácio, talvez descubram que esta não é apenas uma história sobre animais, mas sobre a forma como nos relacionamos uns com os outros — e sobre como, às vezes, um pequeno gesto pode fazer toda a diferença. Acima de tudo trata-se de uma história sobre compreensão, perdão e segundas oportunidades. E, quem sabe, sobre a capacidade que todos temos — humanos e animais — de mudar.

Como sempre, ficarei muito feliz por saber o que acharam.

 

Sobre mim

Teresa Dangerfield

Sou escritora

quando prendo as palavras para criar mantas de sentido.

e  sou poeta

quando as palavras que junto me emprestam magia.

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