# 2 - A OVELHINHA PERDIDA
Hoje queria trazer-vos aos bastidores da escrita de A Ovelhinha Perdida.
Como já tenho referido, estímulos visuais costumam ajudar- -me bastante no que respeita a ideias para criar histórias e, no caso de A Ovelhinha Perdida, mais uma vez, foi isso mesmo que aconteceu.
A ideia para este pequeno conto foi plantada em mim por uma amiga que, num passeio pela zona onde vive (perto de Brighton, uma cidade situada na costa sul da Inglaterra), encontrou, de facto, num banco de jardim, uma ‘ovelhinha perdida’. Quando isso aconteceu, ela enviou-me a foto que incluí nesta publicação e desafiou-me a escrever uma história.
Na altura achei que teria potencial. Reparei no peluche, com um ar triste, enfiado, como se desejasse ser encontrado. Andei imenso tempo a pensar como contaria a história. Do ponto de vista do peluche? Do ponto de vista da criança que teria perdido o brinquedo?
Como é meu costume estar atenta a notícias de jornais, lembrei-me de uma que despertara a minha atenção, há bastante tempo. Essa notícia falava de um brinquedo perdido por uma criança num parque de campismo em que ficara com a família, num país distante do da sua residência. Mas, o melhor, o que me ficara na lembrança, era a parte que falava do cordão de solidariedade que se gerara entre desconhecidos, para fazer chegar esse brinquedo de volta à criança que o perdera e que, como tal, estava desolada.
Isso fez-me pensar em várias questões. Quantas crianças não perdem um brinquedo preferido? Em muitos casos, essa é a primeira vez que se confrontam com o tema da perda. Como se sentem? Como lidam com tais sentimentos? Que acaba por acontecer aos brinquedos perdidos? Saber que um adulto próximo (pai, mãe, avó), passou pelo mesmo poderá trazer--lhes algum entendimento. De igual forma, saber que os adultos dão importância ao que a criança sente nessas ocasiões e que fazem tudo para ajudar, também pode ser confortante. Foram essas as bases da minha inspiração.
Nessa altura estava a frequentar um curso intitulado Escrever um Livro Infantil, sob a orientação de Leonor Tenreiro. No decorrer do mesmo, nasceu o primeiro esboço desta história. Pensei que a ovelhinha iria ser o elemento de ligação silencioso, mas nem por isso de menos importância na narrativa. Fiz algumas pesquisas, juntei todos os ingredientes, criei o arco narrativo e dei vida às personagens.
Mas é isso mesmo, as histórias precisam de amadurecer. Por isso, passados uns meses, fiz algumas alterações, introduzi mais pormenores (na conversa com a avó, por exemplo) e aventurei-me a enviar a minha história a várias editoras, pois queria muito vê-la publicada. Essa ‘viagem’ começou em maio de 2022. Não vale a pena mencionar as rejeições, pois tive a grande alegria de saber, em 2023, que a Editora Trinta-por-uma-linha estava disposta a publicar A Ovelhinha Perdida.
Para quem, como eu, já em criança, sonhava ter histórias publicadas, a ponto de ‘construir’ livros com capas de cartão e folhas de cadernos, essa notícia foi mais do que maravilhosa, tanto, que até me pareceu irreal. Nesse caminho, a mesma editora, dado eu residir em Inglaterra, propôs-me tornar a história bilingue. Aceitei o desafio, ciente de que, tratando-se de um livro infantojuvenil, talvez ficasse com demasiado texto. Nesse processo, acabei por simplificar algumas partes da narrativa e mudei também os nomes das personagens, para que a comparação entre o Português e o Inglês não fosse tão desfasada.
Como aparte, neste ponto, gostaria de dizer que há muitos anos que traduzo histórias para crianças e a editora com que trabalho no Reino Unido (que edita livros bilingues), prefere dizer que as mesmas são recontos e não traduções. Concordo plenamente, pois há coisas que não se podem comparar ou traduzir à letra, sobretudo quando estão envolvidas culturas diferentes. Foi isso que tentei fazer no meu reconto desta história em Inglês.
Chamei à ovelhinha ‘Bá’. Escolhi este nome porque, em inglês, há uma rima infantil muito conhecida que diz assim:
Baa, Baa, Black Sheep
Baa, baa, black sheep,
Have you any wool?
Yes sir, yes sir,
Three bags full.
One for the master
One for the dame
And one for the little boy
Who lives down the lane
(Tradução livre:)
Baa, Baa, Ovelha Negra
Baa baa ovelha negra, você tem lã? Sim, senhor, sim senhor,
Três sacos cheios. Um para o meu mestre,
Um para a minha dama, E um para o menino
Que vive ao fundo da rua
E, por isso, ficou facilitado o nome da ovelhinha nas duas línguas.
Tudo o resto foi uma questão de adaptação às realidades de cada cultura, como por exemplo, no caso do Senhor Tomé, que andava a varrer as folhas no parque. Na minha versão inicial era ‘um varredor’, todavia passou a ser o guarda do parque, para que correspondesse melhor ao ‘park keeper’ do texto em inglês.
E assim nasceu A Ovelhinha Perdida.
A quem ainda não leu esta história, convido a lê-la e espero que goste dela tanto como eu gostei de criar um pequeno mundo à sua volta.
Ficaria muito feliz por saber a vossa opinião. Posso contar convosco?
Já agora, gostava também de lembrar os outros artigos que escrevi relacionados com os temas que abordei na minha narrativa.
A OVELHINHA PERDIDA - SERÁ ESTA NARRATIVA RELEVANTE PARA CRIANÇAS E ADULTOS?
A IMPORTÂNCIA DOS LIVROS BILINGUES PARA CRIANÇAS
QUAL A IMPORTÂNCIA DOS PELUCHES NA VIDA DAS CRIANÇAS (E TALVEZ NÂO SÓ)?
BRINQUEDOS PERDIDOS E SUSTENTABILIDADE. HAVERÁ SOLUÇÃO?
Obrigada.

Sobre mim

Teresa Dangerfield
Sou escritora
quando prendo as palavras para criar mantas de sentido.
e sou poeta
quando as palavras que junto me emprestam magia.

Destaques
Eis as razões pelas quais escrevo!
Porque decidi escrever nesta fase da minha vida?
A minha marca