Brinquedos perdidos e sustentabilidade. Haverá solução?

Um estudo conduzido pela empresa britânica de etiquetas personalizadas My Nametags, entre pais portugueses, revelou que os brinquedos perdidos pelas crianças geram o equivalente a 38 milhões de garrafas de plástico destinadas a aterros. Tal problema, porém, não se restringe a Portugal.

No mundo atual, numa sociedade marcada pelo consumo excessivo e pela cultura do descarte, é muito importante repensar a nossa relação com os objetos e recursos que nos cercam. Isso é mais relevante se pensarmos no problema crescente e aterrador da geração desenfreada de lixo. Entre os culpados silenciosos dessa realidade, encontram-se os brinquedos perdidos.

Por um lado, constata-se uma certa desvalorização de um brinquedo perdido. Afinal perder, por exemplo, um ursinho de peluche com aspeto velho e algumas vezes sujo, parece não merecer interesse. Todavia, para uma criança, esse é um dos piores pesadelos. É importante lembrar que, para a criança, o valor do brinquedo está na conexão emocional que representa e não apenas na aparência física.

Por outro lado, para muitos pais a solução consiste em substituir o item perdido o mais rápido possível, aumentando assim o impacto ambiental. Apenas uma minoria toma medidas para reduzir a perda, seja de brinquedos, seja de peças de vestuário, por exemplo (muito frequente, tanto no caso das crianças como dos adultos), através de medidas como o uso de etiquetas de identificação. Esta falta de consciência ambiental acaba por contribuir para um ciclo de desperdício e de poluição.

Que poderemos, nós adultos, aprender com o apego de uma criança a um brinquedo perdido, velho ou até sujo?

A importância de:

· Valorizar o significado emocional dos objetos e das pessoas nas nossas vidas;

· Aceitar a imperfeição;

· Refletir sobre os nossos hábitos de consumo, procurando maneiras de prolongar a vida útil dos objetos e, assim, reduzir o desperdício e promover consumo consciente e sustentabilidade.

Neste contexto, é encorajador saber que existem iniciativas e organizações que abordam o problema da geração de lixo causada por brinquedos perdidos, ao mesmo tempo que valorizam a importância dos brinquedos para as crianças que os perdem. Tal é o caso do aeroporto de Luton, também conhecido como aeroporto de Londres, Luton, localizado a noroeste de Londres, no Reino Unido. Esse aeroporto levou a cabo um inquérito a 800 pais britânicos com crianças entre um e nove anos de idade. O resultado do mesmo revelou que 45% das famílias dependiam de brinquedos e/ou objetos de conforto para manter as crianças felizes durante as viagens, mas que 49% perdiam os brinquedos igualmente durante essas viagens.

Solidarizando-se com essa situação, o aeroporto teve a ideia inovadora de lançar, em Dezembro de 2022, as chamadas “Teddy Tags” (etiquetas para ursinhos). Estas permitem que os pais coloquem o nome dos proprietários dos brinquedos, o número de voo e informações de contacto numa etiqueta que ficará presa ao brinquedo por uma fita. Tais etiquetas podem obter-se gratuitamente nos balcões de check-in, nos balcões de informação ou até no controlo de segurança do aeroporto. Criaram também uma página para facilitar a reunião entre as crianças e os seus amados brinquedos/ursinhos perdidos: https://www.london-luton.co.uk/reunite-ted.

Não restam dúvidas de que os desperdícios causados pelos brinquedos perdidos e pela cultura do descarte representam um desafio significativo para a sociedade moderna. Todavia, podemos mitigar esse problema com medidas que adotam uma abordagem consciente e sustentável, como a que acabei de descrever. Cabe a todos nós repensar a nossa relação com o consumo e encontrar soluções em favor de um futuro mais sustentável.

E os leitores, como lidam com os brinquedos perdidos?

Gostaria muito de saber das vossas experiências e também se conhecem algum projeto dedicado a reunir brinquedos perdidos aos seus donos.

Grata!

Teresa Dangerfield

Sobre mim

Teresa Dangerfield

Sou escritora

quando prendo as palavras para criar mantas de sentido.

e  sou poeta

quando as palavras que junto me emprestam magia.

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