O Espírito do Natal
No centro da praça mais antiga da vila, uma árvore tomara a forma de um gigantesco guardião do Natal. Enquanto muitos admiravam as suas luzes cintilantes, Paulo notou uma sombra projetada por ela, apontando para norte. Parecia mágica, movia-se! Seria ele apenas a vê-la? Seguiu-a.
Passou por casas iluminadas e prendas flutuando com as pessoas que enchiam as ruas. Cores mornas e aveludadas enchiam-lhe os sentidos. Seria isso o espírito do Natal? A sombra virou uma esquina. Seguiu-a.
Viu sem-abrigo tiritando de frio, um cão faminto. Ouviu o choro de uma criança. Sentiu uma tristeza cortante. Então, algo peculiar aconteceu. A sombra desapareceu e chegou um grupo de pessoas. Entoavam cânticos de Natal. Uns aproximaram-se dos sem-abrigo, outros bateram às portas, oferecendo o calor das suas palavras e a bênção da sua ajuda.
Paulo sentiu que a magia da árvore fora afinal uma sombra sobre o genuíno espírito do Natal.
Nota: este texto resultou de um desafio de escrita lançado por Analita Santos no Clube dos Writers, que consistia em abrir um livro na página 87, pegar nas primeiras sete palavras de um dos parágrafos e criar um microconto até 150 palavras subordinado ao tema «espírito de Natal».
Livro escolhido: Para Onde Vão os Guarda-Chuvas, de Afonso Cruz.
Foto: https://londrespravoce.files.wordpress.com/2023/11/covent-garden-1.jpg

Sobre mim

Teresa Dangerfield
Sou escritora
quando prendo as palavras para criar mantas de sentido.
e sou poeta
quando as palavras que junto me emprestam magia.

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