No meu livro, A Magia de Luna na Cidade das Flores, também aparecem esquilos, mas, neste caso, são esquilos cinzentos, que são os que conheço melhor. Por isso, hoje vou falar sobre esquilos cinzentos e esquilos vermelhos.
Os esquilos são mamíferos pequenos e ágeis, conhecidos por sua habilidade em escalar árvores e armazenar alimentos. Há duas espécies que se destacam na Europa e na América do Norte: o esquilo cinzento (Sciurus carolinensis) e o esquilo vermelho (Sciurus vulgaris).
Os esquilos cinzentos (Sciurus carolinensis) são maiores e mais robustos do que os vermelhos. Têm uma pelagem predominantemente cinzenta, mas podem apresentar manchas acastanhadas ou brancas. A sua cauda longa e espessa ajuda-os no equilíbrio e aquecimento. Os adultos podem medir de 45 a 50 cm, incluindo a cauda, e pesar até 600 gramas.
Estes esquilos são nativos da América do Norte, mas foram introduzidos na Europa no século XIX. Esta espécie é muito adaptável e pode viver em diferentes tipos de florestas, além de ser comum em áreas urbanas e parques.
A sua dieta é variada: nozes, sementes, frutas, cascas de árvores e até pequenos insetos. São conhecidos pelo seu hábito de armazenar alimentos no solo, o que os ajuda a sobreviver durante o inverno.
Os esquilos vermelhos são menores, medindo entre 30 e 40 cm de comprimento, com um peso que varia de 200 a 350 gramas. A sua pelagem varia do vermelho-alaranjado ao castanho, com uma barriga branca característica. Durante o inverno, podem desenvolver tufos de pelo nas orelhas para ajudar a manter o calor.
São nativos da Europa e da Ásia e preferem florestas de coníferas, onde podem encontrar pinhas e sementes que são suas principais fontes de alimento. No inverno, quando o alimento é escasso, consomem cogumelos secos e cascas de árvores. Não são tão eficientes como os cinzentos no armazenamento de alimentos, o que os torna mais vulneráveis em invernos rigorosos.
A introdução do esquilo cinzento na Europa teve um impacto significativo sobre a população de esquilos vermelhos. Um dos maiores problemas deve-se ao facto de o parapoxvírus, do qual os esquilos cinzentos são portadores, mas a que são imunes, poder ser fatal para os esquilos vermelhos. Além disso, a convivência entre essas duas espécies gera desafios ecológicos, como impacto na biodiversidade, especialmente em regiões onde o esquilo cinzento foi introduzido.
Tais factos evidenciam a importância de medidas de conservação para preservar as espécies nativas e promover o equilíbrio dos ecossistemas.
ESQUILOS EM INGLATERRA E EM PORTUGAL
Os esquilos são bastante comuns na Inglaterra. Aqui podemos encontrar o esquilo vermelho e o esquilo cinzento.
O esquilo vermelho habitava grande parte da Inglaterra até o final do século XIX. Todavia, nos últimos 150 anos, a população de esquilos vermelhos diminuiu drasticamente, especialmente no sul e no centro do país. Atualmente, encontram-se esquilos vermelhos principalmente em áreas isoladas, como partes do norte da Inglaterra, na região dos lagos (Lake District), e em pequenas reservas florestais. Projetos de conservação, como a Red Squirrel Survival Trust, visam preservar os esquilos vermelhos, controlando a expansão dos cinzentos e protegendo habitats favoráveis aos vermelhos.
O esquilo cinzento, por outro lado, não é nativo da Inglaterra. Foi introduzido no país no final do século XIX, proveniente da América do Norte e adaptou-se muito bem às condições inglesas. Com uma dieta mais variada e maior agilidade na coleta e armazenamento de alimentos, especialmente durante o inverno, tem uma vantagem competitiva sobre os esquilos vermelhos.
A introdução do esquilo cinzento criou um problema ecológico na Inglaterra, pois, devido à sua adaptabilidade, os esquilos cinzentos tornaram-se a espécie dominante, não só nas florestas, como também nas áreas urbanas e parques. Além disso, sendo portadores do parapoxvírus, constituem uma ameaça para os esquilos vermelhos. Por esse motivo, há quem os pretenda extinguir completamente.
Em Portugal, a presença de esquilos é relativamente recente e, até pouco tempo, não existiam esquilos nativos. O principal esquilo encontrado em território português é o esquilo-vermelho-europeu (Sciurus vulgaris), que voltou estabelecer-se em algumas áreas do país nos últimos anos, após séculos de ausência.
Historicamente, o esquilo vermelho habitava a maior parte da Península Ibérica, incluindo Portugal. No entanto, ele foi extinto do território português há vários séculos, possivelmente devido à destruição de florestas e mudanças no uso da terra.
Nas últimas décadas, a espécie começou a recolonizar a Península Ibérica a partir da Espanha. O aumento das áreas de florestas plantadas e a melhoria de habitats naturais possibilitaram o seu retorno a Portugal. Esse processo tem sido observado desde a década de 1980, especialmente nas regiões do norte e do centro do país. Tendem a habitar áreas de florestas de coníferas e florestas mistas, onde encontram alimento abundante e árvores adequadas para construir os seus ninhos. São mais comuns em zonas montanhosas, como o Gerês e a Serra da Estrela.
Não Há Esquilos Cinzentos em Portugal
Ao contrário do que acontece no Reino Unido e noutras partes da Europa, Portugal não tem populações do esquilo cinzento, o que pode ser uma vantagem para os esquilos vermelhos.
O processo de expansão do esquilo vermelho em Portugal ainda está em andamento, mas ele continua a colonizar novas áreas, como no caso da serra de Sintra. Segundo uma notícia recente do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), o esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris) regressou àquela serra, onde estava localmente extinto desde meados do séc. XVI O retorno foi registrado por uma equipe do ICNF durante o monitoramento de espécies. Dado que o esquilo vermelho faz parte da dieta de várias espécies de mamíferos e aves de rapina, contribui, assim, para a melhoria das condições de alimentação de várias espécies predadoras com estatuto de ameaça, como a águia-de-Bonelli e o bufo-real, e de espécies raras em Sintra, como a fuinha.
Vermelhos ou cinzentos, os esquilos têm o direito à vida no ecossistema a que pertencem, pois desempenham um papel vital na dispersão de sementes, ajudando na regeneração de florestas e na manutenção da biodiversidade.
Confesso que nunca tinha visto esquilos até vir para a Inglaterra. Hoje os cinzentos são presença constante no meu quintal. Veem-se por todo o lado nos parques e muitas vezes são vítimas dos humanos – alguns matam-nos deliberadamente, outros atropelam-nos sem querer, pois, eles não são ágeis a atravessar as estradas.
E os caros leitores, já tiveram a oportunidade de observar algum esquilo de perto? Como foi a vossa experiência?
Teresa Dangerfield

Sobre mim

Teresa Dangerfield
Sou escritora
quando prendo as palavras para criar mantas de sentido.
e sou poeta
quando as palavras que junto me emprestam magia.

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