À Procura de Brinquedos Perdidos — Uma Jornada Emocional

Na infância, os brinquedos tornam-se mais do que simples objetos, transformam-se em companheiros inseparáveis e depositários de afetos. Por isso, perder um brinquedo pode ser uma experiência bastante traumática para uma criança.

Recentemente, encontrei pelo menos três artigos de jornal, que relatam casos em que aconteceu precisamente isso. Um deles, um artigo publicado no diário The Times, de 25 de Novembro 2023, relata o caso de um ursinho de peluche deixado sem querer num comboio. Este, acabou por ser reunido com o seu dono após uma viagem de aproximadamente 960 km, graças à solidariedade do pessoal da companhia dos caminhos de ferro.

Num outro artigo, publicado também no diário The Times, mas em 27 de Novembro 2023, uma senhora conta que o artigo lhe lembrara uma ocasião em que o filho também perdera um ursinho, num comboio nos Alpes suíços. Mesmo tendo este uma etiqueta com o nome e morada, apesar de todos os esforços, ela e a família acabaram por regressar sem o precioso brinquedo. Três meses depois, o ursinho acabou por ser devolvido por um estudante que o encontrara e que, até essa ocasião, não tivera dinheiro para pagar os portes de correio.

O terceiro artigo de que vos quero falar, publicado pela Agência noticiosa PA, no passado dia 16 de janeiro, refere-se a um polvo, um brinquedo de uma criança de seis anos, caído por acidente na linha de comboio. Graças às ações de um desconhecido, que fez tudo para reunir o brinquedo com o dono, inclusivamente recorrendo às redes sociais, o polvo voltou às mãos da criança que o perdera.

Três casos de brinquedos perdidos, todavia com um denominador comum: as crianças que os perderam ficaram inconsoláveis, a dor da perda foi imensa, mas a alegria do reencontro foi uma experiência marcante. Isto demonstra, a meu ver, como a perda de um brinquedo pode ter um impacto significativo no bem estar emocional das crianças, e a sua recuperação não deve ser considerada apenas a recuperação de um objeto material.

Por outro lado, estes relatos destacam a universalidade de experiências desta natureza e evidenciam a mobilização de esforços para lidar com a perda dos brinquedos em situações diversas. Por outro, destacam a profundidade da conexão que as crianças têm com os brinquedos e a importância de reconhecer e validar essas emoções na infância.

Ao ler estes artigos, que vos convido igualmente a ler de seguida, no original (e em tradução livre feita por mim), não pude deixar de estabelecer semelhanças com a minha história A Ovelhinha Perdida. Afinal, poderia ser um outro qualquer brinquedo perdido. As histórias repetem-se.

E do vosso lado, têm alguma história de um brinquedo perdido para contar?

Teresa Dangerfield

Sobre mim

Teresa Dangerfield

Sou escritora

quando prendo as palavras para criar mantas de sentido.

e  sou poeta

quando as palavras que junto me emprestam magia.

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